Isabela do Lago

Minha foto
Belém, Pará - Amazônia, Brazil
A natureza da coisa arte em minha trajetória ocupou lugar no que se diz opção profissional, nem sei dizer nada a respeito de vocação pois nunca ouvi o tal "chamado". Por toda a minha vida tenho cercado o ato de produzir imagens, sejam elas desenhadas, pintadas, fotografadas, filmadas, dançadas, cantadas ou aquelas que figuram mundos internos nas almas imersas em situações nada concretas, a realidade vem a partir da leitura de quem se presta ao ato existir. Intuição, paixão e o nada me tocam neste viver o sentimento criativo desde que sinto coisas que não vejo e procuro transformá-las em algo visível e para que isto aconteça vivencio a criação no momento dela - e depois a esqueço.
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A posse.




É de minha responsabilidade postar neste blog meus processos, pensamentos compositivos, há quem questione o fato de veicular imagens antes de estarem prontas. A Senhora Irene foi mesmo um amor, me ajudando a transportar essa porta enoooooorme... Sabe, gente, a solidariedade estética é assim: "quero muito ver este trabalho pronto, logo, não messo esforços pra te ajudar a fazer isso. Isso tem sido uma marca importante nesse projeto, tenho recebido muita força, muita gente tem se envolvido com meus processos criativos através de gestos solidários. Tenho sorte.
Quero mesmo é falar dessa referência nova que me apareceu, revirando baús de fotos antigas de minha mãe, re-descobri Alda Rosa(a moça de vermelho na foto, em meados de 1985),me acordou para lembranças que marcaram tanto a minha infância, os momentos felizes perto dessa prima que se foi numa quarta feira de cinzas, mas não é puro saudosismo ... É o valor que dou pra minha formação de pessoa e Alda é importante pelo temperamento que tinha, pela personalidade forte,pela postura altiva e não menos porque, no lastro tenso de marcas machistas da história da família Lago ela se firmou enquanto artista, e que artista!!! Bem, se eu for ficar aqui falando dela e das coisas que ela aprontava e do tamanho da lição de vida que ela nos deu... ah... vai faltar espaço.
O importante é que o projeto MULHERES LÍQUIDAS tem sim um cunho político-social que deve ser bem pinçado, mas quero mesmo, com essa escolha, é falar sobre uma questão estética voltada à afetividade: decisão de temperança, acho que a nova-velha porta de acapu é sob medida, tem uma textura favorável (percebi depois de passar dois dias lixando e limpando).
Bem, já falei antes sobre o convencionado fundo azul-turquesa dos olhinhos de minha Avó e da encantaria cabocla, então, saibam que na próxima porta, vai rolar uma filha de cabôca Erundina, vestida de Pomba-gira/ beeemmmm vermelhona sobre o fundo azul turquesa.
Agora preciso só de mais uma manhã de sol pra secar o veneno de cupim que enxarquei a porta, e aí posso, finalmente mergulhar nas lembranças, vou lá, no fundo da minha alma buscar essa mulher e mostrá-la a vocês.
Isabela do Lago.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A idéia radical do feminismo Icamiaba




No Lago – Olha, cabôca, finalmente deu tudo certo com a mocinha lá na Santa Casa, ela fez o procedimento, tá um pouco fraquinha, mas passa bem, voltou pra casa dela, espero que aquele um “amigo” não a procure, porque de todo o aparato que chamam de aquelas coisas... “o Estado defende” ninguém ofereceu segurança pra ela, não.

Entre as Torres e o Aleixo - As delegacias da mulher, as casas-abrigo, os centros de acolhimento, a Lei Maria da Penha, bem como as promotorias de violência doméstica e setores especializados em violência contra a mulher em defensorias públicas, são conquistas dos movimentos de mulheres/feministas.
Essas vitórias decorrem de anos de uma luta que, entre outras palavras de ordem, tinha como lema “o pessoal é político”, ou seja, a esfera privada e a família são lugares onde fluem relações (desiguais) de poder, a sociedade e o Estado, devem olhar para isso, a fim de ajudar na instauração do paradigma da igualdade. Para tanto, durante muitos anos – e ainda hoje, com menor intensidade – foi estratégia feminista denunciar os casos de violência contra a mulher que, ou eram abafados como “problema de família”, ou tinham seus algozes absolvidos pelo argumento da “legítima defesa da honra.”
Além disso, as mulheres, na falta de políticas públicas, começaram a criar redes próprias para amparar aquelas em situação de violência. Nesse contexto, ficaram conhecidos os SOS –Mulher, principalmente o de São Paulo, que nada mais eram que a aglutinação de movimentos feministas, que captavam ( poucos) recursos públicos, criando um centro que recebia/acolhia mulheres que estavam sofrendo violência. Porém, tais centros funcionaram durante poucos anos, e devido a diversos problemas (com o financiamento e com os movimentos), fecharam as portas.
No Lago – Sim senhora, não descordo a merecendência do movimento social feminista, e esta é uma luta que ainda não acabou, mas quero mesmo é te contar, que na situação da dona coisinha lá (que eu não posso caguetar o nome), tudo se resolveu depois de imprensarem a moça contra parede umas tantas vezes durante a madrugada de internação, rolou a maior desconfiança, mana: off course que a moça tava só & zinha, e neste caso eu também. Explico: Tu te lembras, Aleixo, que noutro dia eu mesmíssima, tu, mais aquelazinha Luana, a Leila e um montão de mulheres fomos lá na Avenida Presidente Vargas? (vê, nome inglório pra uma rua tão importante que abrigou nossa Marcha das Vadias, tá vendo? Vai anotando aí!). Isso é movimento social feminista, né? Pois é, como eu tava só com minha filha de 4 aninhos, não podia acompanha-la no hospital, mana, eu fiquei doida, procurei essas mulheres que fizeram uma linda passeata, e todas estavam ocupadas(numa sexta-feira a noite, né), teve gente até que se justificou pra mim com a tala da desconfiança se era ou não real a conversa da companheira, e teve gente que conseguiu me dizer que não achava legal ir porque era um assunto particular dela. Ah, eu falo é mesmo!!! E olha que o caso foi estupro, baby.

Entre as Torres e o Aleixo - A professora Maria Filomena Gregori, no seu famoso estudo Cenas e Queixas – um estudo sobre mulheres, relações violentas e a prática feminista, pôde acompanhar os atendimentos feitos no SOS- Mulher de São Paulo até a sua reunião final e identificou, entre outras coisas, que o medo de parecerem, nas palavras das militantes, “assistencialistas”, fazia com que não amparassem devidamente muitas mulheres que procuravam ajuda. Segundo Gregori, o que parecia ser mais importante para as feministas do SOS- Mulher paulista era que as mulheres “tomassem consciência de sua opressão” e com isso saíssem das relações violentas nas quais estavam inseridas.
Ora, o que a vida real mostrou era que nem todas estavam dispostas a lutar por igualdade, a se tornarem feministas e romperem com uma série de barreiras e estereótipos colocados às mulheres: queriam apenas parar de sofrer violência. Para isso, infelizmente, as feministas não estavam ajudando tanto, de acordo com as reflexões de Gregori.

No Lago – Repito, foi estupro. E nem feministas de carteirinha, nem redes de contato in_formal, nem polícia, nem Maria do Pará, nem a família. NINGUÉM!!! Mas tá bem, continue...

Entre as Torres e o Aleixo - Após o “período dos SOS” o que se viu foi boa parte do movimento feminista saindo das ruas e indo formular/influenciar políticas púbicas. A tática parece render frutos até os dias atuais, uma vez que a Lei Maria da Penha fez cinco anos de vigência há poucos meses. No estado do Pará, por exemplo, há dez delegacias da mulher, há o Centro Maria do Pará, responsável por oferecer apoio psicológico, pedagógico e jurídico às mulheres em situação de violência e é presente em mais quatro municípios além da capital.
No Lago – Aqui fala alguém que trabalhou no Maria do Pará, aliás, alguém, parte da equipe que inaugurou o primeiro ano de trabalho naquela casa, no nosso tempo, não tinha verba pra pirotecnias vanglorísticas, mas a gente nunca deixou nenhuma mulher se lascar sozinha, antes pelo contrário...
Entre as Torres e o Aleixo - Poderiam ser listadas muitas outras políticas, mas o que importa é que o fato de elas existirem e serem executadas mostra que o Estado e, por conseguinte, a sociedade, reconheceram que a violência contra a mulher é um problema sério, que atinge a dignidade de todas nós e deve ser resolvido. Ou seja, é uma vitória das mulheres!
No Lago - Esta vitória conseguida após mais de 100 anos de feminismo, mas vamos refletir, vem sendo descartada por pessoas reais, pelas próprias mulheres. Que nos momentos mais críticos, esquecem que existe vida além da institucionalidade. O caso Mulher x Institucionalização feminista é mais grave do que os maus tratos e o descaso nas DEAMs, Abrigos e Centros de Referência (falo mesmo do Maria do Pará – Belém), ainda há a problemática falta de conhecimento de todos e todas pela causa. Estamos vivenciando um maldito revés, onde a mulher que sofre violência é, antes de tudo criminalizada, além de vivenciar estupro, tem de passar por traumas quando procura ajuda, tanto quando vai denunciar procurando seus direitos, quanto quando procura sua rede de contatos in_formais (amigas, familiares e tal, e tal...). É nesse momento que se estabelece um diabo de caos. Na vida prática, maninha, a Escolástica é uma vasilha de nada com nada dentro. E eu sei bem de onde é que vem tudo isso.
Entre as Torres e o Aleixo - Porém, o medo do “assistencialismo” ainda parece rondar a prática de muitos movimentos e mulheres feministas. Para estes, o essencial ainda é esclarecer as mulheres quanto a sua opressão, depois disso “tá tudo resolvido.” Porém, acredita-se aqui que as duas vias são importantes, afinal, garantir a dignidade das mulheres não é lutar pela igualdade? Não é ser feminista?
No Lago – É sim, mas dá pra socorrer a pessoa que tá em situação de alto risco, de preferência antes que ela morra? Dá pra acreditar em transgressões, sejam elas individuais ou coletivas, que não venham acompanhadas de alguma ternura?
Entre as Torres e o Aleixo - Por isso, precisamos estar unidas sempre, manter uma rede de mulheres aptas a ajudar umas as outras. As políticas públicas e tudo o que foi institucionalizado para dar cabo da violência é importante, executa ações, mas pode falhar. Ou nem mesmo isso. Por ser aparato do Estado muitas vezes não dispõe de companhia, ombro, colo, que é o que uma companheira pode dar à outra, quando se passa por situações que nós mulheres sabemos o quanto são difíceis. Caso o sistema falhe, onde estarão as companheiras para estender a mão?
No Lago – Era justamente aí que eu queria chegar, Aleixo, aliás até te agradeço o apoio que você nos deu. Y en nombre de este amor, que eu costumo confundir amor e solidariedade nessas horas (tenha paciência comigo, sou artista), saiba que aos 40 minutos do segundo tempo, quem me ofereceu a mão foram duas comparsas de minha escola de Direito feminino, Ediane Jorge (que segurou minha filha pra eu poder entrar no hospital) e Jureuda Guerra que, já no domingo estava de plantão lá??? (e olha que a história todinha começou desde a segunda feira). Viu, existe vida, existem seres humanos em sofrimento para além de toda a institucionalidade. Ora veja só você, se tem lá alguma graça, a gente querer revolucionar anos e anos de machismo-cristão-ditadura política sem se envolver pessoalmente com as causas, então agora o papel é só do Estado, ah, que se foda esse mundo burocrata eu quero é ter confiança na companheirada toda!

Entre as Torres e o Aleixo - Ao que parece, precisamos de uma espécie de “SOS- Mulher em rede”, formado por mulheres prontas para ajudar as outras, independente da existência de delegacias ou quaisquer centros. As discriminações que sofremos quando passamos por situações de violência nenhuma lei ou política consegue fazer acabar. São essas discriminações/ preconceitos que nos impedem, por exemplo, de ir à delegacia fazer ocorrência, mesmo quando ela existe ( e que bom que ela existe!). Sempre vejo nos cartazes que “o feminismo é a idéia radical de que as mulheres são gente.” Vamos colocá-la em prática!
No Lago – Agora você falou & disse uma fala bem bonita, mas eu não vou te deixar encerrar a conversa assim não. Por falar em “prática’Baby, vamos repensar a prática do nosso olhar, é que vivemos o inferno dum olhar alheio que traz a imutabilidade e a perda de liberdade do existir e, consequente-mente, do ser (!!!) há muitos olhares sobre a Amazônia. Há muitos olhares sobre a mulher amazônida, como se esta fosse incapaz de expressar ou compreender seus sentimentos y ninguém discute a inter_ferência branca(e ponha ferência nisso!) na nossa cultura cotidiana, isso vai dar mangas nos nossos panos, aviso: aqui onde o modelo de “progresso” implantado com a colonização branca até hoje trai a confiança de meninos e meninas, ofende e humilha a honra de homens e mulheres.
Escuta aqui, somos campeões brasileiros no ranking da violação de direitos humanos, as pessoas precisam parar de fingir que com as políticas públicas já está tudo bem, aqui em Belém, nessa uma cidade – cortina cenográfica localizada em frente ao rio-mar, de banda pra favelização das comunidades rurais e ribeirinhas e cada vez mais distante das matas onde vivem os deuses da natureza que deveriam nos proteger (canta pra chamar teus ancestrais, gatinha, e ouve, eles vão te dar a maior pressão).
Então, minha nêga se este tal de povo que pensa que tudo é política, não começar a pensar que existe cultura, e que quando se fala em cultura não dá pra pensar em bom e mau, certo e errado, ou feio e bonito, nunca vamos poder contar com nadica de nada. A luta corre o risco de andar sempre pra trás mesmo. Bora adicionar coisas ás coisas todas, pra mexer, pra balançar, que ler cartazes dizendo “O feminismo amazônida é a idéia radical de que as icamiabas são gente, porra!!”

-Entre as torres e o Aleixo é Mariah Torres Aleixo, estudante de Direito e Ativista do movimento Feminista em Belém.
- No Lago, ora sou eu. Quem já me lê, sabe muito da minha lida.

domingo, 3 de abril de 2011

Pé de Bananeira






A fedorenta inconsistência concreta da lama no quintal da pensão da velha Geneusa vem da água que escorre as louças sujas no girau.
Vive ali uma cintilância pardacenta dos restos de comida ao pé das árvores, capins, hortaliças e ao meu pé. Solidão obscura das raízes. Sábias plantas silenciosas, nunca omissas. Sabem as plantas o valor do silêncio para a alimentação.
A combustão dos dejetos: renovação frutífera. O tempo acumulado na sordidez do meu pescoço silencioso como uma planta, segura a minha cabeça, minha cabeça planta o pensamento. Silêncio, fruta verde e desejo.
Tão pequena e solitária brota a bananeira num silencioso e corpulento cacho de frutas. Será comido, suas cascas seguirão solenes ao girau a compor o fedor da cintilância da lama que vai escorrer e alimentar novamente a bananeira.
Pé. Solidão. Fruta. Meu corpo num clarão silencioso.
Isabela do Lago.
Santa Luzia do Pará, 31 de Março de 2011.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

PASOLINI DÓI? DÓI.




Mais azul, mais fria, mais, mais... como não tem luz? Há muita luz no azul, sobretudo há luz amarela. Não vê? Normal, é o diário processo de enganação retiniana que age no bicho-córtex fazendo as coisas rodopiarem a percepção.
Veja o mar, está cheio de orixás e voduns!
Veja a natureza, oh singular e admirável in-pessoa que me toca!
Veja a tinta faz formas a partir de cores!
Veja que nasceu uma borboleta na fechadura daquela porta!
Veja só, outro dia os covardes a perseguiam e prenderam-na e hoje ela que é a maioral!
O azul clarinho na paisagem desertificada de Pasolini e amantes em busca e em fuga, a fundamental existência criativa para que saia daqui uma segunda porta que abrirá uma segunda chance e nascerá um segundo ver.
Amar Pasolini é nada fácil, ele me fere a cada quadro, como se quisesse arrancar-me os cílios fio-a-fio, mas entro em contato com meus sentimentos mais profundos a cada vez que vejo a princesa sonhar com os pombos presos à rede, e quando um se solta o outro é que fica preso. Oh, desencontro e angústia!
E fala das paixões e torturas de querer e querer o outro corpo, a outra fala, a outra alma a ponto não conseguir pensar em nada, oh, inferno de ausência!
Quanto ao azul pasolineano de Arabian Nights, análogo ao planeta Terra: No início era tudo azul, depois veio a luz amarela do sol, quimicamente misturadas, nasceu o verde, as matas, a ilusão, a fuga e a busca.
Das pombas presas por uma rede, em homenagem a este episódio de minha percepção, fiz uma borboleta, presa à fechadura da segunda porta. Diferentes espaços onde seres alados são encantados e passeiam tranquilamente entre o céu e a terra, prendê-los é quebrar o encantamento do encontro e fabricar mais uma nova espera. Estou aqui, logo aqui, nesse mundo onde a dor moral vibra e geme dentro do calabouço das almas que sofrem a eterna espera.
Isabela do Lago.

Com uma péssima máquina fotográfica, registrei detalhes da 2a.porta. Pois é, esse papo de tecnologia do possível não cola, não.
Isto é óleo s/ porta.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A PARACINE VOLTA DA JORNADA COM AS BASES FORTALECIDAS





Nas fotos Reunião do GT AMAZÔNICO, o Francisco Teddy do Acre mostra seu sistema fantástico em plataforma livre de gerenciamnto de atividades cineclubistas, a lista de presença da reunião de GT e Arthur Leandro sufocando Eu e Adriane com seu carinho brutal.

Sim. Começamos nada bem. Haviam muitos fôlegos e diversos ânimos, mas esta questão foi fundamental pra que o povo do Pará se juntasse aos irmãos amazônidas do Acre, do Amazonas, do Amapá, de Roraima e do Maranhão que vieram fortalecer nossa pauta. E nossa pauta é nossa voz, e nossa voz quer ser ouvida local, nacional e internacionalmente. Queremos existir, brasileiramente falando, não apenas geograficamente mas também politicamente. Se isto é uma problema, ótimo, problemas existem para serem resolvidos.
Fazer cineclube é dar voz ao público, agregar os saberes, compartilhar a emoção do cinema, a Paracine reuniu cineclubes paraenses, levamos cerca de 03 anos para conseguir sermos esta federação, com a prática dos Diálogos Cineclubistas a gente vem dando voz e agregando saberes e compartilhando coisa pra caramba com quem faz isso, temos muito fôlego, neste sentido, não adianta gritar, vamos continuar lutando contra o isolamento cultural no Pará.
A vivência na Jornada oscilante entre o intenso trabalho diurno e longas horas festivas noturnas proporcionou exatamente oque precisávamos: Con-vivência. Saldo positivo foi levantar a questão do custo amazônico com o GT(aprovadíssimo sem ressalva alguma) e também elevar a discussão sobre o FAAL – Fórum Audiovisual Amazônia Legal, mas também não podemos esquecer a aproximação com o povo da Bahia, de São Paulo e do Rio de Janeiro e de tantas outras pessoas, de tantos outros lugares que não só levantaram o crachá em nosso favor, como também nos procuraram individualmente em gesto solidário.
Agora que o evento acabou, ficamos com aquilo tudo que nos ficou, depois de levar uma bronca do nosso padrinho, voltamos pra casa, pros nossos cines, pras nossas famílias e trabalhos, na realidade, a eletricidade inicial nos deu força a mais, vamos trabalhar com esta força para garantir o amadurecimento necessário, para crescer a Federação, desejo fundamente que a nova diretoria seja grande, seja límpida e seja digna e que possa, sobretudo, contar com a Paracine e toda a gente do norte. Vamos nos encontrar na Bahia, mais alegres, mais solidários, mais compreensivos, mais fortes e seguros de nossa missão cineclubista.
Muitos vivas a nova diretoria do CNC!
Isabela do Lago – Coordenadora Financeira da Paracine.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Palhaçadas, cantorias, capoeira e cinema comunitário





Nestes últimos sábados, dias 31 de Julho e 07 de agosto, o projeto Rota Cultural fez paragem nas comunidades quilombolas de Jacarequara e Muruteuazinho em Santa Luzia do Pará, passamos todos o dia inteirinho entre crianças e adultos envolvidos com atividades de arte-educação, lazer e cidadania.
Durante o dia a criançada se jogou nas brincadeiras e teatro de bonecos dos Clows "Claustrofóbico" (ator- José Arnaud)e "Dedé" (ator Déo) além do bonecão Mascotinho (do educador Evandro), mas os adultos envolvidos com as atividades adultas de documentação, educação e saúde também não resistiram, o sentimento de solidariedade e união estava mesmo entre nós, teve também partida de futebol, roda de capoeira com o Abadá - Luziense, apresentações de outros grupos de artistas locais, banho de rio, além da prestação de serviços como, orientações de saúde, atendimento odontológico, emissão de documentos e até corte de cabelo!
Ao cair da noite todos concentram-se para assistir a filmes, passamos "O arroto do boi ta-ta" um curta de animação que conta a lenda do Boitatá, da professora Sandra Rocha e foi realizado no municipio de Ferreira Gomes no Amapá, e "O coronel e o lobisomem" de Maurício Farias, um longa baseado na obra homônima de José Cândido de Carvalho. A mediação dos filmes foi feita por mim e pelo palhaço Claustrofóbico.
Este é um projeto meu, realizado em parceria com a RV5 - Comunicação, e totalmente patrocinado pela Prefeitura de Santa Luzia do Pará. Interessante lembrar em tempos como estes que a prefeitura de Santa luzia com o fantástico Sr. Louro e sua equipe está no seu segundo mandato e não irá compor o quadro de candidatos nas próximas eleições.
Sábado que vem iremos a Muruteua, outra comunidade do mesmo município, e assim continuaremos ate´percorrermos toda a rota luziense.
As fotos e filmagens de registro são feitas por mim e por Rodrigo Kauka.
Isabela do Lago.