Isabela do Lago

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Belém, Pará - Amazônia, Brazil
A natureza da coisa arte em minha trajetória ocupou lugar no que se diz opção profissional, nem sei dizer nada a respeito de vocação pois nunca ouvi o tal "chamado". Por toda a minha vida tenho cercado o ato de produzir imagens, sejam elas desenhadas, pintadas, fotografadas, filmadas, dançadas, cantadas ou aquelas que figuram mundos internos nas almas imersas em situações nada concretas, a realidade vem a partir da leitura de quem se presta ao ato existir. Intuição, paixão e o nada me tocam neste viver o sentimento criativo desde que sinto coisas que não vejo e procuro transformá-las em algo visível e para que isto aconteça vivencio a criação no momento dela - e depois a esqueço.
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

teatralizando o audiovisual




Faltei o GTU na quinta dia 8 de março, preciso dizer isso aqui!
O registro ou a prova do crime está neste vídeo http://www.youtube.com/watch?v=sCk3uBpgsMU&feature=autoshare, não tenho como negar... mas posso explicar!

http://www.youtube.com/watch?v=sCk3uBpgsMU&feature=autoshare
Viram?
então vou prosseguir:
Estou participando das articulações do FAAL - Forum Audiovisual da Amazônia Legal conforme se vê, temos uma rede ning http://www.redeaudiovisualnorte.ning.com/
para discutir isso, foi marcada uma VIDEOCONFERÊNCIA no auditório do BASA com o Pará mais ou representantes dos outros estados da Amazônia: Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. Uma discussão política pra alinhar propostas, pensamentos, necessidades da produção audiovisual... enfim.
O fato é que identifiquei problemas relacionados a enteresses mesquinhos, pessoais, poder, e coisas que vão de encontro aos reais interesses do FAAL, interesses nada democráticos, e resolvi protestar, fiz uma interferência cênica.
Naquele ambiente cheio de pessoas formais, posturas e imposturas forçosas, na hora de fazer minha fala, fui lá pra frente e reproduzi uma adaptação (livre/minha) da aula de Foucault sobre O PODER PSIQUIÁTRICO de 7 de novembro de 1973, destacando os conflitos entre diferentes atores no espaço manicomial descrevido por FODÉRE no século XIX. jÁ QUE O PRÓPRIO AUTOR, foucault, descreve isso como quem descreve uma cena teatral, ele mesmo usa o termo "cena", fiz este paralelo com a situação vivenciada.
Resumidamente, quando isso tudo acabou já eram 18:40 horas, não ia chegar a tempo na ETDUFPA, mas fiz meu teatrinho básico. E parece que deu certo!
Bela do Lago.

Meu queridodiário de bordo

http://resistenciamarajoara.blogspot.com/2010/04/de-volta-soure-com-muito-orgulho.html

Estas idas e vindas ainda acabam comigo!
Amanhã tem teatro de novo, mas antes vou estar na UEPA, numa mesa redonda (?) falando sobre a experiência do audiovisual no Marajó.
e depois, retorno a Soure para lançar os filmes do projeto lá!
Ai ai!
Marajó mudou minha vida, interfere no meu ritmo, e agora com o teatro... eu gostaria tanto de levar esse sentimento amazônida ao teatro! Será que vai ser possível, espero conseguir.
Me sinto um barco.
espero não naufragar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

GTU - Diário de bordo n°02




Tenho dançado sem música... não tem dado muito certo, mas registro aqui, no percurso da revivência teatral porque, isso faz parte do meu cotidiano desde que começaram os encontros do GTU - até minha filha, a borboletinha tá comigo nesta tarefa. Eu e ela nos divertimos muito com isso.
Isabela do lago e Maria Clara do Lago.

DIÁRIO DE BORDO - GTU

Digo GTU ao grupo de teatro universitário, da ETDUFPA - Belém, na qual me enfiltrei como uma uma verme maldita.
E agora, Isabela? me pergunto o tempo todo... "voltaste a cena?"- esses questionamentos que me faço são ridículos, eu sei, mas neste momento, altamente necessários.
1- Porque desde os 16 anos de idade que me incantei pelo fazer teatral, quando fiz um curso com João Queiroz;
2- Já tenho 32 anos e nunca consegui me entregar plenamente ao teatro, sempre mediado pela dança ou pelo figurinismo... impróprio debater isso agora.
3- Porque eu mereço fazer algo que seja o que eu realmente quero fazer, só porque tenho vontade de fazer. Entendeu? não? deixa pra lá...
Me importa que me senti muito bem fazendo aqueles exercícios, adorei a equipe, as colocações da Wlad são sempre fantásticas, e quero me jogar neste jogo!
(escrevi isto no dia 23 de março, mas estou publicando só agora).
Isabela do Lago.

domingo, 14 de março de 2010

Gente líquida em águas de mariana

Foi uma longa viagem a de voltar para casa esta noite. Eu vinha de barco, mesmo estando a bordo dum ônibus Marex Arsenal. Vinha de barco.
E nesta longa viagem eu olhava pela janela do ônibus (que era barco) e não via os carros, não via os prédios, não via a rua. Durante quarenta e alguns minutos eu ali, dentro do ônibus, sentada.
Imóvel e Surda na aparência. Dançando e cantando na consciência.
É que por dentro eu tinha um grito, dois suspiros e um sorriso. Nem sei dizer se isto foi uma embriaguez ou se estava mesmo atuada, mas posso afirmar aqui para todos que fui tomada por alguma espécie de tranze quando fui ao teatro Cláudio Barradas assistir ao espetáculo “Águas de Mariana” do Grupo Experimental de Teatro GeMtE, e quero com esta escrita compartilhar minha alegria e propor que vocês troquem de coração comigo, assim como propôs uma das atrizes ao público durante o espetáculo, afirmando que nossos corações todos pulsam iguais e no som do toque do tambor na mina, como pulsa o coração da cabôca Mariana. Durante o espetáculo, as atrizes desmontam repentinamente e dirigem-se ao público para relatar experiência pessoais, falar sobre a pesquisa, ou oferecer um aluá, e em seguida voltam como se nada tivesse acontecido.
No desenho de cena há um enquadramento verticalizado, muito comum na configuração dos terreiros, que dispõe tambor e abatazeiro ao fundo, e o público acomodado nas laterais, direita e esquerda, para que ao centro, bailem os deuses e as deusas. Nesta montagem também há um apelo multisensorial com odores e sabores peculiares a umbanda, mas entra neste jogo também o recurso audiovisual que contribui para a socialização das falas de pais e mães de santo a respeito da fabulosa entidade. Tudo muito bem resolvido cenicamente, exceto a luz, esta um pouco problemática em relação ao desenho de cena, pois unifica demasiadamente os planos, vê-se o tudo e o nada deixando a leitura visual direta e didática demais, achei que não deu muito o clima da encantaria que é sempre muito misteriosa.
O trabalho de corpo das “Marianas” é digno da cabôca: Fluência firme, extensão e tonicidade bem marcada com uma alternância entre os níveis posturais em plano alto a médio, raramente usam o plano baixo (levitação incomum na dramaturgia contemporânea). E como se não bastasse, duplicam a figura da entidade que antes era princesa, depois de encantada é arara e marinheira. Nem viva nem morta, paira entre o céu das matas e a imensidão do mar e de vez em quando entra num corpo de alguém para ter a vivência terrena da ritualística amazônida.
Nesta multiplicação vertiginosa de duplos artaudianos, as duas atrizes interpretam a mesma personagem dialogando entre suas faces profanas uma metáfora de mãe que sacraliza a figura da mulher brasileira com autêntica poeticidade cabocla, e muito distante daquela visão de mãe da santa Maria sempre no céu, que segundo as vozes cristãs emprenhou sem sexo, entregou toda a vida ao próprio filho e sofreu muito por vê-lo sendo crucificado, e depois disso? Eu não sei responder o que aconteceu, sei que ela virou santa e foi pro céu, e olha para baixo com o olhar sempre piedoso a seus filhos.
Em mariana, há uma mãe que desce a terra para cuidar de seus filhos, olha-os nos olhos, sorri, dança, canta sua postura é sensual, elegante, vaidosa, alegre e austera constantemente se afirmando na dignidade feminina absoluta e inabalável ela é marinheira, segura o leme e não deixa o barco virar!
Tão encantada quanto tantas mulheres que conhecemos no nosso dia a dia, ela cura e aconselha nossa gente sempre tão carente e abandonada, talvez isso faça de Mariana uma das entidades mais cultuada nos terreiros. Em cena, as atrizes mostram a mariana curandeira que é uma arara cantadeira, deixando a gente chegar perto dos segredos da mata, ouvindo pássaros, catando folhas e voando com os pés no chão. A outra, é a marinheira revoltosa, que viveu horrores da guerra e devastação de seu povo, enfrenta as marés, as tempestades e tem o poder de guiar vislumbrando sempre os horizontes.
“Águas de Mariana” me fez pensar no quanto é importante que a gente se reconheça na cultura popular através da arte, e no quanto ainda precisamos trabalhar muito para vencer as barreiras do preconceito amazônico, e que bom que tem gente poetizando nos cultos afro amazônicos e revigorando nosso precioso conhecimento herdado de gerações outras sem medo, sem amarras, sem sensuralismo disfarçado, diante de um mundo de estereótipos e artificialidades dos grandes veículos, com a face desnuda dos véus da mediocridade capitalista, e sim como a vontade e a força de nos afirmar cultural e socialmente com as bênçãos da cabôca Mariana.

Espetáculo “Águas de Mariana”
Realização do Grupo Experimental de Teatro GeMtE
Hoje às 20 horas no teatro Cláudio Barradas – Quem vai de branco paga meia entrada.

Ficha Técnica

Marianas: Keila Sodrach e Lú Maués
Consultoria Cênica e concepção de figurinos: Aníbal Pacha
Direção Musical: Edson Santana
Preparação Corporal: Guilherme Repilla
Design de Luz: Neuton Chagas
Iluminação: Milton Aires
Maquiagem: Cláudio Didima
Arte, Filmagem, Fotografia e Vídeos: Emerson de Souza
Preparação Vocal: Vilma Monteiro
Confecção de Figurino: Sheila Gomes
Francisco Leão: Desenho
Design gráfico: Jesus Brabo