Isabela do Lago

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Belém, Pará - Amazônia, Brazil
A natureza da coisa arte em minha trajetória ocupou lugar no que se diz opção profissional, nem sei dizer nada a respeito de vocação pois nunca ouvi o tal "chamado". Por toda a minha vida tenho cercado o ato de produzir imagens, sejam elas desenhadas, pintadas, fotografadas, filmadas, dançadas, cantadas ou aquelas que figuram mundos internos nas almas imersas em situações nada concretas, a realidade vem a partir da leitura de quem se presta ao ato existir. Intuição, paixão e o nada me tocam neste viver o sentimento criativo desde que sinto coisas que não vejo e procuro transformá-las em algo visível e para que isto aconteça vivencio a criação no momento dela - e depois a esqueço.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A PARACINE VOLTA DA JORNADA COM AS BASES FORTALECIDAS





Nas fotos Reunião do GT AMAZÔNICO, o Francisco Teddy do Acre mostra seu sistema fantástico em plataforma livre de gerenciamnto de atividades cineclubistas, a lista de presença da reunião de GT e Arthur Leandro sufocando Eu e Adriane com seu carinho brutal.

Sim. Começamos nada bem. Haviam muitos fôlegos e diversos ânimos, mas esta questão foi fundamental pra que o povo do Pará se juntasse aos irmãos amazônidas do Acre, do Amazonas, do Amapá, de Roraima e do Maranhão que vieram fortalecer nossa pauta. E nossa pauta é nossa voz, e nossa voz quer ser ouvida local, nacional e internacionalmente. Queremos existir, brasileiramente falando, não apenas geograficamente mas também politicamente. Se isto é uma problema, ótimo, problemas existem para serem resolvidos.
Fazer cineclube é dar voz ao público, agregar os saberes, compartilhar a emoção do cinema, a Paracine reuniu cineclubes paraenses, levamos cerca de 03 anos para conseguir sermos esta federação, com a prática dos Diálogos Cineclubistas a gente vem dando voz e agregando saberes e compartilhando coisa pra caramba com quem faz isso, temos muito fôlego, neste sentido, não adianta gritar, vamos continuar lutando contra o isolamento cultural no Pará.
A vivência na Jornada oscilante entre o intenso trabalho diurno e longas horas festivas noturnas proporcionou exatamente oque precisávamos: Con-vivência. Saldo positivo foi levantar a questão do custo amazônico com o GT(aprovadíssimo sem ressalva alguma) e também elevar a discussão sobre o FAAL – Fórum Audiovisual Amazônia Legal, mas também não podemos esquecer a aproximação com o povo da Bahia, de São Paulo e do Rio de Janeiro e de tantas outras pessoas, de tantos outros lugares que não só levantaram o crachá em nosso favor, como também nos procuraram individualmente em gesto solidário.
Agora que o evento acabou, ficamos com aquilo tudo que nos ficou, depois de levar uma bronca do nosso padrinho, voltamos pra casa, pros nossos cines, pras nossas famílias e trabalhos, na realidade, a eletricidade inicial nos deu força a mais, vamos trabalhar com esta força para garantir o amadurecimento necessário, para crescer a Federação, desejo fundamente que a nova diretoria seja grande, seja límpida e seja digna e que possa, sobretudo, contar com a Paracine e toda a gente do norte. Vamos nos encontrar na Bahia, mais alegres, mais solidários, mais compreensivos, mais fortes e seguros de nossa missão cineclubista.
Muitos vivas a nova diretoria do CNC!
Isabela do Lago – Coordenadora Financeira da Paracine.

Registros da Jornada em Recife



sábado, 27 de novembro de 2010

As Sereias do Marajó pro Marajó






E agora pronto, largaram uma câmera nas mãos de uma criança
Começou o jogo. Acenderam a luz do sol e Sérgio Péo danou-se
A filmar o Marajó.
Brincando- brincando ele fez um dos filmes mais emocionantes
Que eu já vi sobre o Marajó, ou no Marajó, porque não posso
Me deixar esquecer da “Feiteira” do Resistência do Dalcídio
Da Joana da Andrea do Paulo Alex do Zé Carlos do Chico da
Cris da Alessandra do Rodiney e do mundo todo que cabe mesmo
dentro do Marajó e também por fora dele – Ninguém se ligou que
estava por fora do Marajó, Péo avisa a gente que tem um cortejo chegando
e que vai passando e a gente que não tava olhando deixou de ver. As águas
foram mudando e o céu foi andando e a câmera foi infantil, brincando, procurando
nada e achando muitos mundos e parando pra começar denovo o jogo do jogo que a gente esqueceu de jogar depois de virar gente grande tão gitinha que nem sabe que diabo que é o Marajó.
Eita. Cineclubismo é força, minha gente!
E agora que já foi devolvido a Soure preciso me separar disso tudo e continuar com outros jogos mesmo o grão de milho no fundo amarelo não alcançou tanto-tanto a luz
Do arraial no Círio de Soure 2010 e tudo se revirando e se misturando. Ai.
Isabela do Resistência Marajoara:)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

I - AS SEREIAS MARAJOARAS OU 2 COBRAS GRANDES E UMA FEITICEIRA EMUDECIDA




Chega a ser uma sentença matemática, mas não tautológica. Uma sereia sentada numa pedra onde as ondas do mar jogam sua líquida fúria é uma condição arrebatadora do inapreensível desejo de existência da entrega. Você já presenciou isso?
E se esta sereia de longos cabelos verdes e busto extravagante te olhar diretamente e começar a cantar, o que você vai fazer? Acaso você já vivenciou um encontro com sereias? Quantas vezes?
Sereias são seres que transitam entre o real e o fantástico, não são fantasmas porque não estão mortas, mas também não estão vivas, elas simplesmente acontecem diante dos nossos olhos à beira-mar, ouvimos o seu canto e vivenciamos a maior das maravilhas mundanas, a sedução por imagem e som, e isto é uma pausa.
Atenção: Pausa. Fazer um filme é entregar-se a uma pausa. Uma sereia é um filme. Logo: Projetar um filme é oferecer uma sereia, então, falar sobre as sereias projetadas é dividir o devaneio e assim, socializar a pausa. Lá fora os carros passam, as festam queimam, um cachorro faz cocô na calçada, o guarda de trânsito apita, a mulher anda nas ruas, e tudo o mais vibra e gira e pula, dentro do cine CCBEU juntos, nos entregamos, vivemos algo em comum-união, vivemos o cinema marajoara.
O fascínio que declaro a este canto de sereia não nasce do canto atual, projetado, mas do que ele se propõe a ser, ou seja, nada além daquilo que o cinema jê é, ou seja, sereia.
As sereias marajoaras trazidas nesta sessão se chamam “A festa da cobra”, “Sucuriju” ou “A lenda da Cobra Grande” e “Quem calou a língua da feiticeira que os donos do mundo temiam”, parece que num acaso de criação fez-se aqui uma seqüência quase que lógica entre estas três obras, com estes três títulos assim dispostos um espectador que não conhece este trabalho pode facilmente fazer um filme em sua tela interior e desenvolver uma ilusão de sedução tentando antecipar a leitura antecedendo os fatos, ou pode um outro espectador atirar-se numa repulsa, imaginando encenações de mitos amazônicos segundo manda a ordem dos mesmistas folcloristas e regionalistas de lenda de boto com tucupi, perfeitamente compreensível, pois, há muito que a cultura marajoara é vista de fora pra dentro e há muito que se vende uma imagem folclórica da cultura marajoara, sendo exatamente folk-lore a sabedoria do povo com um quê de cultura “do outro”, nada mais preconceituoso.
- A reflexão de que filmes são sereias nasceu justamente porque pensando nestes três filmes do Coletivo Resistência Marajoara selecionados aqui, é que certamente quem se der a contemplá-los verá que não são absolutamente nada do que anteriormente foi imaginado e bem como esta quebra de ilusão é a força que nasce deste mar donde germinam outras ilusões, aqui falo do cinema marajoara feito pelas mãos da gente marajoara, e portanto, prevalece a força expressiva de quem tem este encanto.
Desde o início deste coletivo têm prevalecido duas categorias/tipos de filmes: O documentário e aquilo que compactuamos chamar de vídeo-teatro, todos coletivos e com o uso da luz solar. Somos um coletivo de artistas jovens, dentre eles há mães e pais de família, estudantes, desempregados e desempregadas, professores, todos e todas com disposição para se lançar a recursos expressivos do áudio-visual para falar da cultura marajoara em foco contemporâneo.
Os documentais, como “Festa da Cobra” são recortes da vivência do grupo na cidade de Soure onde se fala de pessoas e acontecimentos do cotidiano cultural desta cidade. Os vídeo-teatros também permeiam estas fímbrias de pensamento que só pode haver na cabeça de quem vive no Marajó, a diferença é que usamos da mística local em busca da realidade poética para compor as obras, ou ao que se pode chamar de delírio e de sonho. A aura mística é para nós o canto de sereia, nos vídeo-teatros estamos exercitando a linguagem artística em questionamento aos problemas sociais vividos pela juventude, portanto, ambos, “Cobra grande” e “feiticeira são absolutamente políticos, e lançam um olhar sobre a história do arquipélago.
*:) Bela do Lago

II- AS SEREIAS MARAJOARAS OU 2 COBRAS GRANDES E UMA FEITICEIRA EMUDECIDA


(cont...)
A reflexão de que filmes são sereias nasceu justamente porque pensando nestes três filmes do Coletivo Resistência Marajoara selecionados aqui, é que certamente quem se der a contemplá-los verá que não são absolutamente nada do que anteriormente foi imaginado e bem como esta quebra de ilusão é a força que nasce deste mar donde germinam outras ilusões, aqui falo do cinema marajoara feito pelas mãos da gente marajoara, e portanto, prevalece a força expressiva de quem tem este encanto.
Desde o início deste coletivo têm prevalecido duas categorias/tipos de filmes: O documentário e aquilo que compactuamos chamar de vídeo-teatro, todos coletivos e com o uso da luz solar. Somos um coletivo de artistas jovens, dentre eles há mães e pais de família, estudantes, desempregados e desempregadas, professores, todos e todas com disposição para se lançar a recursos expressivos do áudio-visual para falar da cultura marajoara em foco contemporâneo.
Os documentais, como “Festa da Cobra” são recortes da vivência do grupo na cidade de Soure onde se fala de pessoas e acontecimentos do cotidiano cultural desta cidade. Os vídeo-teatros também permeiam estas fímbrias de pensamento que só pode haver na cabeça de quem vive no Marajó, a diferença é que usamos da mística local em busca da realidade poética para compor as obras, ou ao que se pode chamar de delírio e de sonho. A aura mística é para nós o canto de sereia, nos vídeo-teatros estamos exercitando a linguagem artística em questionamento aos problemas sociais vividos pela juventude, portanto, ambos, “Cobra grande” e “feiticeira são absolutamente políticos, e lançam um olhar sobre a história do arquipélago.
*:) Bela do Lago

III - AS SEREIAS MARAJOARAS OU 2 COBRAS GRANDES E UMA FEITICEIRA EMUDECIDA


(cont...)Em “Cobra grande”, o grupo estava ainda no início, quando um conjunto de oficinas, dentre elas, roteiro e produção, teatro de máscaras e outras aconteciam quase que simultaneamente. Pegando sequência no documental “Festa da cobra”, em julho de 2009, decidimos falar sobre a perda da educação popular através da oralidade, o mito da cobra-grande, apareceu naturalmente numa entrevista com o Senhor Ilário, que é um respeitado pajé local que nos falou sobre a Sucuriju, uma entidade da pajelança, que segundo ele foi uma princesa encantada por uma cobra-grande na antiga fazenda “Sossego”. Conversando com o grupo, percebi que havia certa repulsa em falar sobre o assunto, uns por motivos religiosos, outros por simplesmente desconhecer, e até por medo do sobrenatural aquele era o momento decisivo, era o ponto nevrálgico de nosso trabalho que queríamos mais que tudo abordar o distanciamento da juventude do conhecimento tradicional e queríamos fazer isto usando o teatro de máscaras, e mais, queríamos isto num formato de vídeo. Assim, o relato do pajé orientou a construção de nosso roteiro, que como num quebra-cabeças, procuramos pensar cenas em que houvesse a representação desta desterritorialização da juventude marajoara.
De minha parte, na hora de compor as cenas, propus o processo de construção das máscaras, como fator de imersão materializada das personas.
A gestualidade dos atores e atrizes é praticamente robotizada, limitam-se por mover a cabeça para a direita e esquerda sob o comando de um personagem, e tiram e colocam a máscara, revelando o rosto limpo, sendo, neste jogo de personas uma junção de personagens míticos e não míticos, misturando o jogo do narrador, sendo a princesa encantada uma das personagens tidas como “gente nossa” ou “viva”. Foi simbolismo convencionado entre nós, a cena final, onde a única personagem que se movimenta dançando carimbo, queima a saia diante do olhar imóvel dos outros, queimar esta saia foi um ato de expressar este mal-estar diante do fato cultural.
Em “Quem calou a língua da feiticeira...” o questionamento continua sendo o mesmo, desta vez, houve um emaranhado ainda maior a ser solucionado, pois, não estávamos diante da narrativa oral do imaginário marajoara a ser traduzida em imagem, e sim da adaptação literária de um texto que fala da perda desta oralidade, a poesia da poesia de outra poesia aconteceu com aporte da dramaturgia e da composição de quadros, além do mais, neste caso, o roteiro já estava praticamente escrito pelas mãos de Dalcídio, e seguir este roteiro dalcidiano foi um profundo mergulho no mar, o grupo já mais maduro teve a adesão de novos e novas artistas, que certamente contribuíram muito para a montagem deste quebra-cabeças.
Sendo o cinema uma arte que se alimenta de outras artes, e absolutamente autônoma a existência do objeto filme, a dramaturgia junto a experiência de vida de cada um de nós foram peças fundamentais para a execução desta obra, pois o aparato teórico-expressivo fundamentou-se na literatura dalcidiana passando pelo teatro do oprimido e no método de imersão de cena segundo a proposta de Stanislavski, em o ponto médio entre o olho da câmera e o corpo em cena. Sem diálogos orais, mas não mudo, pois, a marca maior do histórico de opressão que o povo marajoara sofre ao longo dos tempos só pode se esxpressar pelo silêncio, restando-nos apenas a eloqüência dos códigos da arte cinematográfica, juntos solidários e colaborativos fizemos mais esta sereia marajoara, inicialmente mágica, mítica e fantástica que canta um canto lamentoso e chama a entrar no mar da exclusão sócio-cultural, neste mar, nadam a sedução da tecnologia e o olhar trágico de jovens artistas.

*:)Bela do Lago

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Palhaçadas, cantorias, capoeira e cinema comunitário





Nestes últimos sábados, dias 31 de Julho e 07 de agosto, o projeto Rota Cultural fez paragem nas comunidades quilombolas de Jacarequara e Muruteuazinho em Santa Luzia do Pará, passamos todos o dia inteirinho entre crianças e adultos envolvidos com atividades de arte-educação, lazer e cidadania.
Durante o dia a criançada se jogou nas brincadeiras e teatro de bonecos dos Clows "Claustrofóbico" (ator- José Arnaud)e "Dedé" (ator Déo) além do bonecão Mascotinho (do educador Evandro), mas os adultos envolvidos com as atividades adultas de documentação, educação e saúde também não resistiram, o sentimento de solidariedade e união estava mesmo entre nós, teve também partida de futebol, roda de capoeira com o Abadá - Luziense, apresentações de outros grupos de artistas locais, banho de rio, além da prestação de serviços como, orientações de saúde, atendimento odontológico, emissão de documentos e até corte de cabelo!
Ao cair da noite todos concentram-se para assistir a filmes, passamos "O arroto do boi ta-ta" um curta de animação que conta a lenda do Boitatá, da professora Sandra Rocha e foi realizado no municipio de Ferreira Gomes no Amapá, e "O coronel e o lobisomem" de Maurício Farias, um longa baseado na obra homônima de José Cândido de Carvalho. A mediação dos filmes foi feita por mim e pelo palhaço Claustrofóbico.
Este é um projeto meu, realizado em parceria com a RV5 - Comunicação, e totalmente patrocinado pela Prefeitura de Santa Luzia do Pará. Interessante lembrar em tempos como estes que a prefeitura de Santa luzia com o fantástico Sr. Louro e sua equipe está no seu segundo mandato e não irá compor o quadro de candidatos nas próximas eleições.
Sábado que vem iremos a Muruteua, outra comunidade do mesmo município, e assim continuaremos ate´percorrermos toda a rota luziense.
As fotos e filmagens de registro são feitas por mim e por Rodrigo Kauka.
Isabela do Lago.

sábado, 17 de julho de 2010

Carne revela






Ter uma ferida aberta no corpo
é uma dádiva do acontecimento
observa tua ferida aberta
verás como sou por dentro

A equação quadrática de rigor da matéria humana
aparenta a pele que cobre o corpo que por dentro é vermelho
o sub-item pele nada conduz ao teor existencial do corpo
pega um facão e te corta, homem
verás teu interior
Sou mulher, não careço me cortar
para me ver por dentro, basta um espelho

Mas gosto quando tenho feridas, vejo o sangue sinto o cheiro.

Só as mulheres são detentoras de uma fenda corporal mais profunda que a boca
Um homem que beija esta fenda
tem o bruto calor de quem sabe o que é amar a carne sem o artifício da pele
compreende o sexo enquanto facão
que perfura e revela a essência interior do corpo
vive o desejo
oposto e análogo ao prazer do suicídio.

Bela do Lago.



Fotografias minhas.