Isabela do Lago

Minha foto
Belém, Pará - Amazônia, Brazil
A natureza da coisa arte em minha trajetória ocupou lugar no que se diz opção profissional, nem sei dizer nada a respeito de vocação pois nunca ouvi o tal "chamado". Por toda a minha vida tenho cercado o ato de produzir imagens, sejam elas desenhadas, pintadas, fotografadas, filmadas, dançadas, cantadas ou aquelas que figuram mundos internos nas almas imersas em situações nada concretas, a realidade vem a partir da leitura de quem se presta ao ato existir. Intuição, paixão e o nada me tocam neste viver o sentimento criativo desde que sinto coisas que não vejo e procuro transformá-las em algo visível e para que isto aconteça vivencio a criação no momento dela - e depois a esqueço.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Gatilho e coração


("lavadeira no alto rio guamá", comunidade de Jacarequara - sta luzia do pará foto:Isabela do Lago, 2010)

Quem quer trocar meu coração
escondo atrás de um facão
Quem quer trocar meu coração
por amor, comida e munição

Viver plantado neste chão
faísca, tiro e batalhão
quem quer trocar meu coração
por amor, comida e munição
em troca meta os pés no chão
ande bonito e com paixão

minha gente não tem tostão
mas tem gatilho e compaixão
fazendo guerra com barão
trocando o sangue pelo pão
rio guamá terra de cão
onde eu perdi a oração
onde eu troquei meu coração
por emboscada e frustração.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CONTRA A VIOLÊNCIA E PELOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES: A RESPONSABILIDADE DO ESTADO E DE TODA A SOCIEDADE TAMBÉM É EXTRAMUROS!






Nós, do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense, da Articulação de Mulheres Brasileira- AMB, Sociedade Paraense de Direitos Humanos- SDDH, MAMA, Rede Feminista de Saúde – Rede Saúde, União Brasileira de Mulheres UBM, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente CEDECA/EMAÚS, e, outros parceiro@s da luta CONTRA A VIOLÊNCIA E PELOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES que também assinam essa nota, compreendemos que a sociedade civil organizada tem o direito e a competência de, debater, propor e formular políticas que contribuam com os gestores na concretização de um novo modelo de Segurança Pública inclusiva para o Pará. E que também é nossa tarefa cotidiana o acompanhamento das situações de violação dos direitos das mulheres e meninas no nosso Estado.
Por isso, as instituições aqui representadas vêm a público externar seu repúdio diante da denúncia de violação de Direitos Humanos, estupro e exploração sexual vivenciada pelas adolescentes, dentro de instituição estatal de recolhimento de presos, a Colônia Agrícola Heleno Fragoso, em Americano/PA.
O Brasil assumiu as decisões das Conferências Internacionais da ONU, realizadas na década de 90, de fundamental importância para os direitos humanos das mulheres. Em especial, a Conferência Mundial dos Direitos Humanos de Viena (1993), a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento do Cairo (1994) e a Conferência Mundial sobre a Mulher - Beijing (1995), que especificaram os direitos de igualdade de gênero.
Foi em Viena que, pela primeira vez, se reconheceu expressamente que os direitos humanos das mulheres e meninas são parte integrante, indivisível e inalienável dos direitos humanos universais e que a violência de gênero é incompatível com a dignidade e o valor da pessoa humana.
Outros dois importantes tratados internacionais, que relacionam os temas de discriminação e violência contra as mulheres, num contexto de proteção especial são: a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW, ONU, 1979), ratificada pelo Brasil em 1.º de fevereiro de 1984, que garante a defesa em âmbito mundial; e a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará, OEA, 1994), ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995, que define os parâmetros nacionais para o problema.
Não se analisa, nem se dá solução aos contextos de violência urbana - violência estrutural pela precariedade das condições de vida, insuficiência de equipamentos e serviços públicos, interdições ao direito de ir e vir das mulheres no espaço da cidade, à presença da violência ligada ao tráfico e à violência policial nas cidades do Pará especialmente em Belém.
Assim, assistimos a violência relacionada ao tráfico de seres humanos, à exploração sexual de mulheres e meninas, cujo Brasil ocupa rankings vergonhosos; sobretudo a região Norte e Estado do Pará em particular, que convivem com a impunidade de políticos, juízes, milícias, e policiais envolvidos.
Entendemos que são graves e chocantes as denúncias do Conselho Tutelar de Belém, sobretudo em virtude de que o fato teria acontecido dentro de uma instituição pública e de responsabilidade do Estado. No entanto, não podemos deixar de nos posicionar quanto a uma questão que não se encerra no fato de que o crime teria acontecido porque não havia, na colônia agrícola, um muro de contenção para a entrada de pessoas; muito menos no fato de que a situação estaria resolvida apenas com a responsabilização (que é necessária) dos agentes e pessoas envolvidas.
Queremos dizer com isso, que infelizmente para além dos muros, ou da construção de um muro, o problema centra-se na violência sendo utilizada como instrumento de dominação dos homens sobre as mulheres - presente em nossas vidas; como realidade ou como ameaça e possibilidade constante através de humilhações, xingamentos, piadas agressivas, utilizando o medo, o constrangimento, agressão verbal, física e sexual, sempre que lhes parece necessário individualmente ou como grupo.
Queremos chamar atenção aqui para a responsabilidade e o compromisso político e social por parte do Estado do Pará em efetivar políticas públicas para as mulheres para erradicar todas as formas de violência, pois os últimos fatos envolvendo estas meninas estupradas dentro da Colônia Agrícola Heleno Fragoso vai contra todos os direitos humanos preconizados nas convenções internacionais acima referidas, em relação à violência contra as meninas e mulheres.
No caso dessas meninas que sofreram estupro em um espaço prisional do Pará nos perguntamos onde estavam os agentes de segurança púbica que deveriam estar monitorando e exercendo a função para a qual são pagos pelo Estado. Também indagarmos sob a função e monitoramento dos espaços prisionais e administração do setor de segurança do Pará, também nos perguntamos sob o abandono de finalidade da colônia agrícola. O fato é estarrecedor, pois a ação divulgada pelos meios de comunicação vai além da violação de direitos das adolescentes.
Mais lamentável ainda é sabermos que fatos da gravidade do acontecido, ocorrem corriqueiramente nas casas prisionais e fora delas – o que não exclui a responsabilidade do Estado. Alguns casos chegam ao conhecimento público, mas a maioria continua sob uma cortina de invisibilidade de sistemas de privilégios que são utilizados, sob as vistas do sistema de segurança pública.
A sociedade precisa acercar-se desta realidade, as organizações sociais devem também posicionar-se para não aceitarmos mais que “as rigorosas providências” aconteçam apenas quando acontece um fato dessa natureza. Até agora apenas a menor T foi ouvida pelos órgãos competentes, mas nos perguntamos de que maneira vem se dando esse processo de inquirição? Onde estão as outras meninas? Perguntamos e exigimos providência pela segurança dessas meninas, haja vista que crimes como esses envolvem diversos tipos criminosos e também possíveis responsabilizações de autoridades.
Essa barbárie torna a vida e segurança de meninas e mulheres em nosso estado uma precariedade e vulnerabilidade constantes como conseqüência da omissão do Estado.
A dignidade com suas características de inalienabilidade, imprescritibilidade e irrevogabilidade, exige, na perspectiva dos direitos humanos, eficácia imediata. Desta forma, o fato de alguém, em virtude da necessidade (qualquer que seja ela), dispor de sua dignidade não dá a ninguém o direito de viola-la ou aliená-la!
A violência contra a mulher enquadrada nesse fato que tomou as páginas dos jornais paraenses e nacionais, nos dois últimos dias, constitui-se na ponta do “iceberg” que é a omissão governamental em relação à violação dos direitos humanos que se agrava com a ausência de uma política eficaz de segurança pública.
Por isso, a perspectiva extra-muros não pode deixar de ser colocada como reflexão - construir o muro não resolve o problema – sobretudo porque o enfrentamento da violência e exploração sexual de crianças e adolescentes, não tem sido tratado pelo Estado Brasileiro, e, especialmente pelo Estado do Pará como Política Pública de Direitos Humanos prioritária.
Esse caso não só revela as múltiplas dimensões de violência de gênero, geracional, exclusão e negligência vivenciadas por milhares de adolescentes e crianças no Brasil - que já trazem em sua história de vida sucessivas negações e violações de direitos - como também revelam uma sociedade permissiva, omissa e reprodutora dessa violência.
A violência contra as mulheres deve ser compreendida em vários contextos, para além da esfera doméstica e familiar. No entanto ainda é comum os discursos e as práticas que justificam de várias formas a violência, muitas vezes responsabilizando as vítimas pela violência que sofrem. Prática essa comum nas instituições de segurança pública, como a polícia.
A exposição, a culpabilização da vítima, e a revitimização, tem sido a tônica dada para esse e outros casos semelhantes, exemplos inequívocos da forma como a sociedade e o estado demonstram o despreparo no enfrentamento da questão. As vítimas passam a ter sua imagem explorada pela mídia sensacionalista e extremamente lucrativa, são alvos de um juízo de valor sexista e permissivo, e álibi para brigas partidárias dentro do Estado.
Questiona-se em que momento se prioriza atenção integral às vítimas de violência? Que sentimento de segurança tudo isso traz? Neste momento, se desfaz a ilusão construída nos “muros que protegem” e “nos muros que separam”. Não são muros que definem uma situação de violência; mas antes são as pessoas e o contexto.
O Estado do Pará parece estar virando uma “terra sem lei e sem direitos”. Afinal qual a providência tomada pelo governo em relação à violência praticada contra uma mulher com sofrimento psíquico que foi agredida no mercado ver- o- peso no dia 07 de setembro? Qual a providencia em relação às 06 mulheres que estão na cela de uma Delegacia em Altamira? Quais as providências que o governo está tomando em relação aos inúmeros assassinatos de trabalhadores rurais, que já são inúmeros só no primeiro semestre deste ano? Qual a ação efetiva de consolidar as retaguardas necessárias para prevenir, coibir e responsabilizar essas inúmeras ações de violência no Estado? Quais as providencias tomadas para o alto índice de assassinatos de mulheres no estado do Pará?
O que o Governo estadual e o Judiciário tem feito em relação ao desmonte, desqualificação da Promotoria de Violência contra a Mulher, Vara da Violência contra a mulher, conquistas no enfrentamento da violência contra a mulher?
Queremos que as políticas públicas do qual o governo é responsável por efetivar funcionem. Os centros Maria do Pará; os abrigos para mulheres; as delegacias de atendimento às mulheres; a disponibilização dos recursos humanos e materiais para a atenção às meninas e mulheres em situação de violência; a punição dos agressores; as residências terapêuticas são apenas alguns dos dispositivos que têm que ser fortalecidos e efetivados para que os DIREITOS HUMANOS DE MENINAS E MULHERES seja um fato e ação real do Estado e não um factóide - não aceitamos que mais uma vez se coloque a “responsabilidade” dos fatos ocorridos em cima das vítimas!

PELA VIDA E DIREITOS DAS MULHERES...

Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense- FMAP, Articulação de Mulheres Brasileiras- AMB /PA, Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH, Grupo de Mulheres Brasileiras – GMB, Rede Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos – Regional Pará, União Brasileira de Mulheres - UBM, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente - CEDECA/EMAÚS, Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará – GEMPAC, FASE- AMAZÔNIA, CEDENPA, Fórum Metropolitano de Reforma Urbana, RECID, Grupo de Mulheres do Tapanã, MAMEP, União Brasileira de Mulheres- UBM, GEPEM/UFPA - Observatório Regional Norte - Lei Maria da Penha, Maria Luzia Álvares- Professora UFPA, Instituto Nangetu de Tradição Afro-Religiosa, MOCAMBO, Associação AFRO-Religiosa e Cultural “ILÊ IYABA OMI” - ACIYOMI, Movimento de Luta Antimanicomial – MLA, UNIPOP, FASE/AMAZÔNIA, APAAC/PARÁ

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Piramutaba Justiceira e o verdadeiro caso do assassinato de Amy



Algum reahab

Esta é mais uma série de foto-drama que está sendo construída a partir das redes sociais, depois de ‘amor venéris ou um colar de brilhantes para uma pobre donzela’ que rolou em 2009, agora temos um novo jogo: apropriação visual de ícones da cultura pop, conectividade amazônida e criação artística em rede.
O jogo é mesmo lúdico, infantil e extremamente prazeroso e ainda tem a vantagem de, com tudo isso, não machuca, não dói, não engorda, não engravida nem pega DST.
Visualmente construído de maneira livre, dialética e colaborativa nas redes sociais “A Piramutaba justiceira e o verdadeiro caso do assassinato de Amy” chuta pra longe esse papo brabo de estética do cotidiano e busca de verdades absolutas, muito exploradas na fotografia pelo seu caráter documental, e usa a fotografia para documentar inverdades, calúnias mediáticas e questionar mesmo o meu posicionamento diante da receptividade da cultura pop e das imagens que consumimos, e quando consumimos o que devolvemos disso tudo. Regorgitar talvez seja interessante, questionamento que surge na minha alma, individualmente e parte em busca de outros olhares, outras consciências, mais formas de fantasia, mais meios de representação de desejos.
Fugir do colonialismo cultural, abraçando-o, um tomara-que-caia vestidos por muitos seios, ou uma tanga de cerâmica difícil de caber na buceta estrangeira, já não me percebo nesta dualidade de bem x mau (& mal). Diluo-me na não fronteira y perco-me a criar imagens de terras jamais prometidas, nasce a já velha e desbotada “piramutaba” a partir dos questionamentos que passei a me permitir durante a construção (nas redes sociais) da Marcha das Vadias Belém. Aconteceu no meio de tanto blá a morte da cantora Amy Whinehouse, mesmo sendo ela portadora de talento singular, foi crucificada pelo comportamento, depois de ouvir tantos comentário mega-machistas sobre a ela pensei: E se a tivessem assassinado? Imediatamente joguei virtualmente com as pessoas que me deram trela: surgiu um roteiro, nasceu o fotodrama.
Sendo assim, a direção de arte desta proposta busca firmar nas fotos a dimensão dos HQs e filmes de outro londrino que admiro bastante Alfred Hitchcock (em especial ‘Disque M para matar’), nas pesquisas dos enquadramentos, da expressão das personagens e na atmosfera, sobretudo, nos enredos que envolvem crimes passionais, suspense e mundo-rock. Ainda, as personagens pescadas ao acaso são Amy Whinehouse, Cher e Frank Zappa, por enquanto, já que a caracterização corporal é também um ponto importante para este trabalho, estou buscando indivíduos paraoaras que se assemelhem a personalidades Pops.

terça-feira, 17 de maio de 2011



Hoje me senti cansada... disse à minha amiga Celi Abdoral que queria ser
uma princesinha... ela me mandou este poema. Fiquei emocionada.

Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa

Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos

Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino
(Sophia de Mello Andressen)

sábado, 23 de abril de 2011

Meus cartazes para o CINECCBEU programação de maio




No mês de maio o CINECCBEU vai ter esta programação e eu ficarei mais velha -velhota (velha idiota):(
Qual é o papo, afinal? Quer que eu fale do con-cei-to pa-ra a cria-ção das peças (argh, que papo brabo!). Hum-hum... tsc, tsc... Vá lá e veja os filmes.
Bem, o Miguel me convidou para fazer o cartaz do mês, honradíssima, aceitei e fiz estes dois. Ele gostou muito... paciência!
Isabela do Lago.

domingo, 3 de abril de 2011

Pé de Bananeira






A fedorenta inconsistência concreta da lama no quintal da pensão da velha Geneusa vem da água que escorre as louças sujas no girau.
Vive ali uma cintilância pardacenta dos restos de comida ao pé das árvores, capins, hortaliças e ao meu pé. Solidão obscura das raízes. Sábias plantas silenciosas, nunca omissas. Sabem as plantas o valor do silêncio para a alimentação.
A combustão dos dejetos: renovação frutífera. O tempo acumulado na sordidez do meu pescoço silencioso como uma planta, segura a minha cabeça, minha cabeça planta o pensamento. Silêncio, fruta verde e desejo.
Tão pequena e solitária brota a bananeira num silencioso e corpulento cacho de frutas. Será comido, suas cascas seguirão solenes ao girau a compor o fedor da cintilância da lama que vai escorrer e alimentar novamente a bananeira.
Pé. Solidão. Fruta. Meu corpo num clarão silencioso.
Isabela do Lago.
Santa Luzia do Pará, 31 de Março de 2011.

domingo, 13 de março de 2011

Aquarelas game over: me mira mas me erra




Minha aquarela (no jogo)

Tenho aqui algumas fichas de jogo
muito embora eu mesma nem queira jogar
prefiro tirar a roupa e tomar um banho de sal grosso
me mira mas me erra
prefiro pintar os olhos e beber água da chuva
não quero jogo
prefiro gritar por dentro e permanecer muda
prefiro atirar no escuro e ver se te acerto
prefiro a madrugada dura na ponta do rio
prefiro um azul escuro na ponta nariz
olhar a cara de otário na fotografia do Rui Barbosa
me dá tesão e calafrio
prefiro fazer aquarela que ser uma atriz
que finge que admira inteligência masculina.

Isabela do Lago.