
("lavadeira no alto rio guamá", comunidade de Jacarequara - sta luzia do pará foto:Isabela do Lago, 2010)
Quem quer trocar meu coração
escondo atrás de um facão
Quem quer trocar meu coração
por amor, comida e munição
Viver plantado neste chão
faísca, tiro e batalhão
quem quer trocar meu coração
por amor, comida e munição
em troca meta os pés no chão
ande bonito e com paixão
minha gente não tem tostão
mas tem gatilho e compaixão
fazendo guerra com barão
trocando o sangue pelo pão
rio guamá terra de cão
onde eu perdi a oração
onde eu troquei meu coração
por emboscada e frustração.
Um poema forte. Está entre provocativo e desconcertante. Imagino que fale de resistência, mas posso estar errado. Gostei muito da forma inquietante como a palavra "amor" foi utilizada.
ResponderExcluirBela embora eu não curta rimas, elas me causaram inquietude.
ResponderExcluirAntonino,
Bj.
E quem é este ser anônimo?
ResponderExcluirBem... usei o recurso da rima pra lembrar
a escrita de cordel, em homenagem à origem
nordestina do Gatilheiro Quintino e da minha.
A inquietude é mãe de toda poesia.
Obrigada pela leitura.